O rock e os índios não existem no Brasil

Meu amigo Ruy Braga lançou uma irônica provocação, após eu o ter provocado antes. Afirmou, sem pejo, que o rock nacional não existe. Eu concordo com ele, e pra mostrar como concordo e fazer o que melhor sei – encher a paciência do Ruy – vou postar aqui durante alguns dias alguns comentários sobre a pobreza do rock nacional tal como entendido pela nossa inteligentsia. Eu, como aprendiz de Pound e dos concretistas, creio muito na máxima de que a melhor crítica de poesia é a própria poesia, e assim sendo, a melhor crítica de música é a própria música. Mas eu não sou músico, e por isso recorro aos exemplos disponíveis na Internet. Com 2 exceções, evitarei as óbvias referências àquilo que chamam de rock nacional dos 80, mas q na verdade é mero decalque insosso de uma linguagem ultrapassada na própria terra do rock. As exceções, ficará óbvio, evidenciarão a pobreza semiótica a que me refiro, ultrapassando-a e dialogando com as nossas formas de apropriação do simbólico. É de se esclarecer desde já que o rock nacional não existe, nunca existiu e mesmo assim desde que passou a nunca existir tem sido alvo de atentados e vítima das mortes mais violentas. Desde pelo menos a passeata de 1967 contra a guitarra elétrica é que o rock nacional vem inexistindo e nessa sua inexistência sofrendo atentados fatais. Um dos últimos foi essa afirmação – pesarosa, sem dúvida – proferida pelo Ruy.  A continuar desse jeito, um dia o Ruy terá seu vaticínio confirmado e matam o rock brasileiro. Ele passará então a existir, tal qual o original.
Como o assunto vai render e já é tarde, paro por aqui e ilustro a tese da inexistência do rock brasileiro com um canto indígena mortal, Ratamahatta, do Sepultura. Mas, como vocês bem sabem, os povos indígenas brasileiros, assim como o rock nacional, teimam em inexistir – ao menos no nosso mundo, onde também em breve inexistirão árvores e água.

Capa do album Roots, do Sepultura, de 1996. Para ouvir o canto dos índios que inexistem, em ritmo de rock brasileiro também inexistente, clique sobre a imagem.

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